DESAFIOS E LIMITAÇÕES QUE SE COLOCAM PARA AS POLÍTICAS PÚBLICAS DESTINADAS ÀS COMUNIDADES AFRODESCENDENTES E MINORIAS ÉTNICAS EM PORTUGAL

Em Portugal, as políticas públicas para comunidades africanas e afrodescendentes, bem como para minorias étnicas, enfrentam o triplo desafio de desconstruir 1) o lusotropicalismo e o mito do bom colonizador, 2) a memória social de um país branco e católico e 3) a ilusão de pós-racialidade, i.e., de um país livre do racismo porque, no doce embalo da sua história colonial, teria produzido uma sociedade onde a condição...

O ESTADO DA COR EM PORTUGAL: INVISIBILIDADE, ESTADO-NAÇÃO E RACISMO NEGADO

Quando comparamos a experiência da mobilização «negra» em países como o Brasil em face do caso português, percebemos o quanto se perde no Atlântico e quanto os eventos históricos moldam as experiências identitárias. A história da presença africana no Brasil, a sua extensão demográfica e a forma como esta se transformou em resistência identitária, particularmente por via da religião, e mais tarde através das lutas afirmativas pela representatividade,...

O PERIGO DO “ANDA TUDO A GAMAR”

“É por isso que o “anda tudo a gamar” é a ideia mais perigosa em vigência na opinião pública, porque ela é um chamamento à legitimação do autoritarismo. “ Das narrativas e afirmações mais perigosas que conhecemos de André Ventura – e conhecemos-lhe várias, entre elas a de mandar para a sua terra pessoas com cidadania portuguesa, afirmando uma distinção com base na cor da pele, veiculando, assim,...

IMIGRAÇÃO, RSI E POPULISMO

“Vemos, ouvimos e lemos/ Não podemos ignorar”, como escreveu Sophia de Mello Breyner, sobre o impacto da globalização e dos fenómenos migratórios no recrudescimento do populismo de pendor nacionalista um pouco por todo o Ocidente. Em virtude de vivermos um tempo já comumente descrito como “bipolarizado” – o que traduz a perceção de que o meio-termo enquanto lugar de moderação e interpretação dos fenómenos se esvaziou, tendo-se perdido...

SILÊNCIO QUE A QUESTÃO É ÉTNICA (!)

Em Portugal temos um problema silencioso com as questões étnicas, as quais só vêm à tona por razões negativas, ligadas ao racismo e ao crime. Num paralelo referencial, Fischer, Grinberg e Mattos, num trabalho recente (link), mostram como o silêncio em relação à composição étnica da sociedade brasileira foi fundamental para imprimir a ideologia da democracia racial. A ausência de referências à “raça” no aparelho jurídico brasileiro impossibilitou...

A CRISTOFOBIA DE BOLSONARO: O PERIGO DE UMA AGENDA POLÍTICA TEOCÊNTRICA

É uma estratégia eleitoral que permitirá a Bolsonaro reeleger-se em 2022. Mas é, também, mais do que isso. É o traçar de uma fronteira social cada vez mais profunda. Discursando na abertura da 75ª edição da Assembleia Geral das Nações Unidas, Jair Messias Bolsonaro, presidente brasileiro, procurou chamar à atenção para aquilo que ele acredita ser um fenómeno em crescendo: o da cristofobia. Apesar das perseguições aos cristãos...

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